terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Deus ajuda quem cedo madruga

Fui dormir as 9h da noite, estava cansado como sempre por causa do


fuso, mas antes de dormir perguntei para o eslovaco que estava do meu


lado sobre onde seria um bom lugar para visitar no dia seguinte, ele


rapidamente pegou um papel e começou a escrever e me mostrou três


viagens diferentes.


Jian, o eslovaco era uma pessoa muito diferente, mais quieta e reservada, ele já estava lá a quase um ano, era alto, loiro e tinha olhos azuis; era


um perfeito turista. Quando eu o vi pela primeira vez ele foi


extremamente receptivo e falava muito, com o tempo dava pra ver que


ele já estava cansado da vida na Índia. Um dia descobri que ele


já tinha trabalhado numa cidade perto de Granada na Espanha (a qual eu


fui fazer um intercambio) e que ele também, entre as suas muitas


viagens, tinha ido ao Nepal, e segundo ele essa foi a sua melhor


viagem, depois de escutar isso fiquei com vontade de ir para lá. Era


estranho que ele parecia conhecer muito sobre a cultura dos indianos,


quando ele falava tudo fazia sentido! Queria que ele ficasse mais


tempo aqui, mas descobri que essa era sua última semana.


No dia seguinte acordei as 5h da manhã e comecei a procurar


informações sobre minha viagem, peguei o Lonely Planet, ou como os


mochileiros falam, “O Livro”. Esse era o guia de todos os viajantes na


Índia, e eu tinha conseguido sua versão digital na minha conversa na


noite anterior. Depois de umas duas horas eu já havia planejado minha


viagem e os Nigerianos acordaram, desci para tomar café da manhã. As


duas mulheres da casa já estavam acordadas e eu comi uma panqueca fria


(comida típica da Índia) e um pão que não era dos melhores.


Durante a refeição eu falamos sobre a minha viagem, a filha abriu um


sorriso, enquanto  mãe ficou preocupadíssima e não queria me deixar


sair. Elas chegaram a conclusão que seria um problema porque eu


provavelmente seria enganado, ou seja: no táxi por exemplo eu pagaria


R$1,oo ao invés de pagar 50 centavos... Bom, não pareceu fazer muita


diferença para mim, mas mesmo assim elas disseram que seria bom eu


contratar um guia ou levar o anão nigeriano comigo. Resolvi escolher a


segunda opção.


Seu nome era Aluko, ele perdeu seu pai ainda jovem e sua mãe ficou


solteira com 4 filhos e uma filha, acredita com todas suas forças que


as pessoas o estranham porque ele é negro, mas não, é a soma das


coisas: negro num país onde todos têm a mesma cor e por ser muito


baixo. Em três meses irá acabar seu intercâmbio e ele não quer voltar


para a Nigéria, e gostou da ideia de ir ao Brasil, no começo apoiei a


ideia, mas com o tempo vi que ele queria ir sozinho sem falar a língua


e possivelmente sem uma passagem de volta, suicídio, não? Ele me pede


ajuda para isso quase que diariamente.


Ele tinha separado uma quantia para vir a Índia, juntamente com seu


salário ele teria como sobreviver: o plano parecia bom, mas começou a


dar errado ainda na Nigéria. Ele não tinha colocado em suas contas o


preço do visto, que ficou com uma situação ainda pior pelo fato de ele


ter pegado o de negócios (que e bem mais caro). Chegando aqui não


havia emprego para ele como o prometido e agora ele está sem dinheiro


e sem trabalho, passa o dia todo trancado dentro de casa comendo pão e


as vezes um macarrão.


Voltando à viagem, eu comecei a me organizar, fiz a minha mala, o papa



Cansei de escrever sobre esse dia, quem sabe um dia eu termino...

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