Dentro do ônibus não parecia nada com o que eu tinha lido, havia ar condicionado e uma suspenção quase boa: não sai dolorido como eu esperava. O problema era o frio, sem casaco eu estava congelando, perguntei a um indiano com turbante vermelho sobre onde estaria minha mala, um canadense que estava com ele me respondeu que daria para pegar numa parada em um hotel.
Um rapaz que estava perto de mim estava falando sem parar e eu já estava achando que eu entendia o hindu, quando comecei a tentar conversar com ele descobri que ele só sabia falar italiano, então tentei parlar um pouco, mas tudo que consegui foi hablar.
Um pouco antes do ônibus parar, o Homem com turbante salvou minha vida, pediu para que desligassem o ar. Na parada eu conversei com o canadense que estava lá para um casamento. Ele me pediu um chá que salvou minha vida, quente e muito bom! Ele também desmitificou muita coisa sobre a água, a comida e algumas outras coisas. Na volta a estrada o motorista não queria me abrir o porta-malas, mas quando o Canadense flou com ele em Hindú tudo ficou mais fácil.
Quando ficou escuro eu reparei que a iluminação pública era quase nula, e que no meio do nada podia ter enormes casas para turistas, queria entender da onde saem tantos para sustentar esses palacetes. A estrada foi melhorando com o tempo, comparada ao Brasil, ela é muito lisa, mas nem sempre é asfaltada. A musica do ônibus é bem dessas de filme, com pessoas cantando com voz tremula e instrumentos antigos e tambores ambientando: nada que um fone de ouvido alto não desse conta.
Paramos mais uma vez, são quase 8 da noite e eu ainda tenho um bom tempo de viagem, parece que o motorista não sabe ao certo para onde esta indo. Meu amigo foi embora e me deixou um cartão pedindo para eu ligar para ele. Na parada tinha um telefone por satélite, um restaurantezinho e um clássico banheiro indiano: muitos mictórios e algumas portas, como eu estava com a pouchete por debaixo da roupa, resolvi ir na privada. Quando abri a porta vi o que já tinham me falado, um buraco coberto de cerâmica, uma torneira e um baldinho, tudo isso funciona com uma descarga. Depois de ver isso fiquei com receio de pisar e principalmente de tocar na torneira para lavar as mãos, mas como não tinha jeito eu fiz as duas coisas.
Na volta eu tentei falar italiano com um indiano que trabalhava na Itália. Descobri que ele era gay e morava com seu marido lá. O fato dele estar naquele país me explicou o porque de haver 2 outros italianos no ônibus, sendo que nenhum dos dois falavam em inglês nem híndi.
Depois de mais ou menos 10 horas eu finalmente cheguei, a meia noite do dia 14 (4 dias de viagem), Rohan foi me buscar com sua família: seu pai e sua irmã. Depois de ter errado o caminho, chegamos a minha primeira casa.
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