A viagem começou, coração apertado pois descobri somente ao entrar no avião que passaria tanto tempo sozinho. Após um tempo, uma senhora negra sentou ao meu lado, ela não falava em inglês e não parecia ter cara de muitos amigos. As aeromoças começaram a passar e perguntar o de sempre: carne ou frango? Vendo a situação da senhora, eu a ajudei a pedir sua carne com espaguete, muito agradecida ela começou a falar comigo. Descobri que ela era escritora e que fazia parte de vários movimentos contra o preconceito.
Chegando a Johanesburgo me separei dela e fui ver os muitos dutty-frees que havia no local, entediado comecei a algumas pessoas que estavam passando (logicamente em português) mas reparei que sem alguém como a Andressa pra me falar para parar não tinha graça nenhuma. Merda! Estava lá eu sozinho e sem ter o que fazer, ou seja: a pior coisa que pode acontecer num intercâmbio.
Resolvi que iria falar com alguém, reparei que um homem de uns 30 anos conversava ao celular em português, dei uma volta e depois sentei-me ao lado dele e agradeci em português e propositalmente me corrigi falando thank you. Depois da “coincidência” de nós dois sermos brasileiros, eu já não estava mais sozinho, conversava com ele, sua mulher e seu filho, pena que durou pouco e depois de meia hora eu já estava com os fones de ouvido outra vez.
Foi ai que descobri como passar o tempo, o Haguendaz não iria me decepcionar! Foi muito bom durante os 10 minutos que demorei para comer uma bola, mas acabou. Desisti, fiquei sentado e jogando no celular, foi nesse ponto que a senhora negra do voo me encontrou e começou a conversar comigo. Depois e um tempo ela me deu um de seus livros e autografou! Fiquei muito feliz mas estava com fome e fui comer alguma coisa.
Para não ter erro pedi uma pizza, era muito boa! E eu que pensava que a brasileira era a melhor do mundo, lá eles simplesmente esqueceram da massa e encheram de recheio. Depois de um tempo, uma menina que estava comendo comigo me perguntou que horas eram, eu respondi e sai correndo para o embarque, que já havia começado.
O voo foi sem surpresas e silencioso pois apesar dos esforços, o homem que sentava ao meu lado não dominava bem o inglês, foi meu primeiro problema com a língua, antes mesmo de chegar lá. O que me impressionou foi ele ter um Orkut, ele escreveu seu nome e me pediu para adiciona-lo depois, mas quando tentei havia milhares de pessoas com o mesmo nome.
No hotel de Mumbai, eles demoraram uma eternidade para chegar, enquanto esperava reparei que as pessoas não paravam de buzinar, era infernal!!! Depois de um tempo já dava pra perceber porque buzinavam, toda vez que passavam ou queriam passar buzinavam, buzinavam até para virar, utilizavam como seta.
Chegando no “Airport Hotel”, depois de uma hora de espera, eu perguntei qual hora eu deveria sair, ele me respondeu que eu poderia tomar café e sair. No dia seguinte acordei, arrumei tudo e tomei o café o mais rápido possível. Comi alguns sanduiches prontos e uma melancia, mas estava com sede: o que beber? Resolvi perguntar para o garçom se o suco era feito com agua da torneira ou do filtro, ele me respondeu que não, com o coração na mão eu tomei metade do suco. Ao sair perguntei para o recepcionista sobre como era feito o suco, ele me respondeu uma palavra que eu não conhecia, minha vontade foi de vomitar!!! Felizmente depois de conversar mais descobri que o suco era de caixinha, minha barriga estava salva por mais um dia.
Na saída, o trajeto que deveria ser de 3 minutos, segundo eles, demorou um pouco mais que dez e com isso cheguei depois da hora estipulada. Perdido num país que “fala inglês”, pedi ajuda para um homem que parecia estar no comando, ele me botou num novo voo. Na corrida contra o tempo perdi a primeira coisa: meu fone de ouvido laranja que eu comprei no Duttyfree.
Num balanço do que eu vi que me chamou a atenção, certamente estaria as buzinas e a prestatividade das pessoas, todos parecem estar te servindo, quando perguntei para um rapaz que estava fechando sua loja sobre como entrar no WI-FI, ele não só parou o que estava fazendo como também entrou no meu computador e logou por meio de seu celular! Eu acho que isso nunca aconteceria no Brasil....
No último voo, que era de uma companhia indiana, eu comecei a ter um maior contato com a cultura, primeiro tomei um café apimentado, que como estava no avião, acredito que eles tenham pegado mais leve com o chilly. Na TV passava um filme indiano: péssimo! Exemplos clássicos, atuações extremamente ruins e sons da década de 60, no meio do filme todos cantavam e dançavam, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo. A historia também não era muito boa, era sobre um garoto com uma inteligência mais simplificada (que eu me identifiquei muito), ele ia contra o sistema mas um professor reprovou ele por não floriar e tentar melhorar o ensino. Como o filme estava chato resolvi dormir, já que eu estava quase sozinho no avião, peguei 3 cadeiras.
No caminho para buscar minha mala comecei a conversar com uma francesa que estava voltando para casa, ela me deu umas dicas sobre a comida e agente começou a conversar numa fila, depois de muito tempo ela me perguntou: por que você esta na fila para conexão? Eu olhei para cima, dei um sorriso e sai. Estava perdido.
Desci uma escada que levou a um salão gigante cheio de pessoas, um bafo quente veio a minha direção, o Ipod, que estava no shuffle, começou a tocar “Welcome to the Jungle” do Guns, sim, eu cheguei à Índia! Peguei uma das enormes filas, fui até o fim e descobri que eu não precisaria pegar fila alguma, meu voo era doméstico.
Saindo dali perguntei para uma pessoa aleatória sobre o ônibus, por sorte ele era o responsável. Sentei perto de um casal de alemães que estavam com duas mochilas gigantes na frente deles. Depois de conversar um pouco com eles, vi que o ônibus estava saindo, corri e cheguei a tempo.
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